MOÇAMBIQUE EXPÕE RECUPERAÇÃO ECONÓMICA E ALERTA PARA RISCOS EM ENCONTRO COM O CLUBE DE PARIS
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A Ministra das Finanças, Carla Louveira, reuniu-se esta segunda-feira com o Co-Presidente do Clube de Paris, Thomas Revial, num encontro em que Moçambique apresentou sinais de recuperação económica, mas também reconheceu os impactos da crise pós-eleitoral de 2024 e os riscos que ainda ameaçam a execução do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) de 2026.
Durante o encontro de trabalho, realizado a 22 de Junho, Carla Louveira fez um retrato da evolução recente da economia moçambicana, destacando que o país conseguiu recuperar de sucessivos choques, como a pandemia da COVID-19 e eventos climáticos extremos, tendo registado um crescimento de 5,5% em 2023, impulsionado pelo arranque da produção de gás natural liquefeito na Área 4, através do projecto Coral Sul.
No entanto, a governante reconheceu que o último trimestre de 2024 foi marcado por forte instabilidade política após as eleições presidenciais de 9 de Outubro. As manifestações, segundo explicou, provocaram paralisação parcial da actividade económica, destruição de infra-estruturas públicas e privadas, saques, vandalização de estabelecimentos comerciais e constrangimentos à circulação de pessoas e bens, factores que acabaram por travar o ritmo da economia nacional.
Como resultado, o Produto Interno Bruto registou uma contracção de 4,9% no quarto trimestre de 2024, fazendo com que o crescimento anual abrandasse para 2,15%.
Apesar desse recuo, Carla Louveira assegurou que 2025 voltou a trazer sinais de recuperação, com a economia a crescer ao longo dos vários trimestres até atingir cerca de 5,1% no último trimestre do ano. Segundo a ministra, este desempenho foi sustentado sobretudo pelo sector primário, com destaque para a mineração, agricultura e pesca, que voltaram a funcionar como pilares da economia moçambicana.
Relativamente às perspectivas para 2026, a titular da pasta das Finanças explicou que o Governo prevê um crescimento moderado de 2,8%, apoiado por uma inflação controlada em torno de 3,7%, estabilidade cambial e reservas internacionais líquidas estimadas em 3.234 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 4,4 meses de cobertura das importações.
No encontro, Carla Louveira destacou ainda um conjunto de reformas consideradas estratégicas para a estabilidade económica do país, entre as quais a saída de Moçambique da Lista Cinzenta, a operacionalização do Fundo Soberano, a aprovação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique e a implementação do Plano Operacional da Estratégia da Dívida Pública 2025-2029.
Por sua vez, Thomas Revial manifestou confiança na trajectória de estabilização da economia moçambicana, defendendo que, além das reformas em curso, as futuras receitas da exploração do gás da Bacia do Rovuma poderão desempenhar um papel decisivo no crescimento económico do país nos próximos anos.
Ainda assim, o Governo moçambicano reconhece que a execução do PESOE 2026 continua sujeita a vários riscos fiscais e macroeconómicos, tanto internos como externos, o que poderá comprometer algumas das metas traçadas para o processo de recuperação e ajustamento económico.
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