Possível venda da Tmcel gera contestação e pedidos de auditoria em Moçambique
Activista Adriano Nuvunga defende uma auditoria independente à TDM, mCel e Tmcel antes de qualquer decisão sobre a alienação de activos públicos.

A intenção d⭕️ Governo de Moçambique de alienar parte da participação do Estado na Moçambique Telecom (Tmcel) está a provocar contestação pública e pedidos de maior transparência sobre a situação financeira e administrativa da empresa.
O activista pan-africano Adriano Nuvunga defende que o Executivo deve realizar uma auditoria independente antes de avançar com qualquer processo de venda ou privatização de activos da empresa.
Segundo Nuvunga, é necessário esclarecer como a Tmcel chegou à actual situação financeira e identificar eventuais responsabilidades relacionadas com decisões tomadas ao longo dos anos.
Tmcel nasceu da fusão da TDM e mCel
A Tmcel foi criada em 2018, através da fusão entre a Telecomunicações de Moçambique (TDM) e a Moçambique Celular (mCel).
A união das duas empresas públicas tinha como objectivo criar uma operadora nacional mais forte, competitiva e sustentável no sector das telecomunicações.
No entanto, a empresa passou a enfrentar dificuldades financeiras significativas.
Em 2024, a Tmcel reportou prejuízos de aproximadamente 4,44 mil milhões de meticais, enquanto os capitais próprios negativos chegaram a cerca de 14,5 mil milhões de meticais.
Pedido de esclarecimentos sobre dinheiro público
Perante estes números, Adriano Nuvunga considera que a possível alienação de parte da participação do Estado não deve ser encarada apenas como uma operação empresarial.
O activista questiona quanto dinheiro público foi injectado ao longo dos anos na TDM, na mCel e posteriormente na Tmcel, bem como o destino do património e as decisões que contribuíram para a actual situação financeira.
Entre as questões levantadas está também a necessidade de identificar os responsáveis pelas decisões de gestão e determinar se existem casos que possam justificar responsabilização.
Auditoria antes da venda
Os defensores da realização de uma auditoria defendem que o Governo deve promover uma avaliação independente à gestão da TDM, mCel e Tmcel, tornando públicos os resultados.
Caso sejam identificadas irregularidades, a proposta é que os respectivos processos sejam encaminhados às instituições competentes para avaliação de eventuais responsabilidades financeiras, administrativas ou criminais.
O debate sobre o futuro da Tmcel continua, assim, aberto, sobretudo em relação à forma como o Estado pretende conduzir o processo e proteger o património público.
Para os críticos da operação, qualquer solução para a empresa deverá garantir transparência, responsabilização e clareza sobre as condições em que os activos públicos poderão ser alienados.
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